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O objetivo das técnicas e práticas gerenciais relacionadas com a gestão de custos é preparar a empresa para enfrentar os desafios do ambiente competitivo, evitar o acúmulo de ineficiência e melhorar a produtividade de seus recursos produtivos.
Isso pode ser traduzido como o desafio de reduzir custos e, ao mesmo tempo, reforçar o posicionamento estratégico da empresa.

..::Mudança de Foco

A abordagem de custo mais comum nas empresas é aquela que mostra os gastos por itens – pessoal, aluguel, processamento de dados, viagens, etc. – dentro de cada departamento funcional ou centro de custos. E o instrumento utilizado para realizar essa tarefa é o orçamento de custos, elaborado segundo esse enfoque. Contudo, essa abordagem apresenta limitações para a compreensão da realidade de custos da empresa e de seus objetivos estratégicos. A
   
 
transformação organizacional das empresas observada nas últimas décadas impõe que se focalize as atividades realizadas para avaliar o potencial e a contribuição dos recursos produtivos contratados. Ou seja, estabelecer uma ligação entre os recursos consumidos e o valor gerado e comunicar (de modo eficaz) esse valor aos clientes-alvo.

..::Análise Custo/Valor de Atividades

Naturalmente, uma administração comprometida com o crescimento sustentado da lucratividade da empresa requer uma gestão de custos adequada. Ela deve focalizar as atividades de negócios mais importantes da empresa – e a organização de seus recursos – para a tomada de decisões
 
 
 
estratégicas e operacionais. No entanto, a execução dessa tarefa exige habilidades e empenho da gerência. E isto explica o pensamento, hoje majoritário, de que o sucesso da liderança tem tudo a ver com a sua capacidade de resolver questões práticas do negócio. Assim, o caminho natural é focalizar o gerenciamento das atividades da empresa tendo em vista a melhoria do valor criado para seus clientes e do lucro obtido com o fornecimento desse valor.

Trabalhando com a hipótese de que a empresa já tenha implementado as medidas óbvias de cortes de custos, o aumento da eficiência de seus recursos produtivos – e conseqüentemente a redução de seus custos – passa a depender de melhorias em seus processos operacionais e de negócios. E devem estar implícitos aí pré-requisitos como a existência de processos relevantes – do ponto de vista de custos – e a possibilidade de mapeá-los. Contudo, as habilidades necessárias à boa gestão de processos nas empresas de serviços são diferentes das que impulsionam o sucesso nas empresas de produtos. Primeiro, não se observam na maioria das empresas de serviços processos nítidos e representativos, em termos de consumo de recursos. Segundo, a parcela mais importante de seus custos é influenciada diretamente pelo comportamento dos clientes.

Todavia, o maior desafio das empresas no campo da gestão de custos é avaliar a eficácia de suas unidades organizacionais na realização das atividades demandadas . Ou seja, realizar as tarefas de medir o consumo de recursos produtivos na realização dessas atividades e avaliar a sua contribuição para o negócio. Este fato explica porque a maioria das empresas ainda pratica os chamados cortes extensivos e lineares de custos na tentativa de remover supostos excessos de gastos existentes nas várias áreas da organização. O problema é que essa prática normalmente prejudica as unidades de alto desempenho e favorece as de baixa performance, o que contribui para o emperramento da empresa. É por isso que muitas decisões, visando cortar custos, acabam afetando fontes de receita.

Diferentemente da prática referida acima, nossa abordagem focaliza os recursos produtivos como alvo nos vários centros de atividades (CAs) da empresa visando, em última instância, avaliar o seu consumo na realização das atividades demandadas e a geração de valor para o negócio. Assim, o primeiro tópico da análise custo/valor compreende a i dentificação das principais atividades, isto é, das macroatividades de cada um dos CAs, e a quantificação dos recursos produtivos consumidos na sua execução. A idéia é a de que as atividades determinam o volume e a qualificação dos recursos necessários para se alcançar os objetivos da empresa.

O segundo tópico da análise compreende a definição e o alinhamento dos drivers , isto é, dos geradores da demanda de atividades de cada CA. Eles são necessários para julgar se uma determinada atividade produz ou não algum tipo de valor para o negócio. Nesta direção, o driver mais expressivo para avaliar o custo/valor das atividades realizadas pela empresa é o cliente . Ou seja, as atividades relacionadas com o atendimento de necessidades específicas dos clientes e a criação de ambientes para proporcioná-los novas experiências. Em seguida temos as atividades demandadas pelos grupos de interesses formados por acionistas, funcionários, fornecedores, parceiros de negócios, ONGs, etc., conhecidos como stakeholders . Trata-se, portanto, de pessoas ou empresas que de alguma maneira são afetadas pelas decisões de uma organização. E não há dúvidas de que a forma como os clientes e os stakeholders enxergam a empresa determina se ela será ou não bem-sucedida. Dessa forma, o alinhamento de interesses entre os stakeholders e a empresa é vital para o sucesso do negócio.

Outro driver importante está relacionado com as chamadas inovações sustentadoras. São atividades vitais para garantir a competitividade da empresa e estão relacionadas com inovações tecnológicas, de modelos de negócios, dos processos operacionais e das práticas gerenciais. Olhando o mercado, inovar na criação de serviços, no desenvolvimento de canais de distribuição e nas práticas de atendimento ao cliente.
 
 

 

Finalmente, destacamos outra referência igualmente importante, relacionada com o controle de riscos do negócio. S ão as atividades de avaliação, mensuração e controles de vulnerabilidades da empresa envolvendo o ambiente, ativos, tecnologias, processos, pessoas, etc. São medidas de proteção que visam minimizar perdas e danos ao negócio.

O terceiro e último tópico da análise compreende a avaliação do custo/valor de cada atividade (macroatividade) realizada na empresa. Essa análise considera toda a base de custos da empresa (vide 1º tópico) e faz uma avaliação dos custos incorridos na realização de cada macroatividade bem como o valor gerado (considerando o 2º tópico).

Portanto, o objetivo é localizar custos relevantes, onde quer que eles existam, e avaliar a sua contribuição para o negócio . O objetivo dessa análise é melhorar continuamente o desempenho dos recursos produtivos da empresa – e com essa prática evitar o acúmulo de ineficiência . A sua finalidade é, portanto, eliminar desperdícios e identificar oportunidades para melhorar a produtividade dos recursos produtivos consumidos e agregar valor às atividades da empresa que contribuem para o sucesso do negócio.

A grande vantagem da análise custo/valor de atividades (como a concebida neste texto) em relação à visão de processos é, sem dúvida, a flexibilidade de sua aplicação, isto é, o fato de poder aplicá-la isoladamente a cada centro de atividades – seja ele um departamento funcional ou uma área de negócios. Claro que as oportunidades de redução de custos aumentam com a aplicação da análise custo/valor em toda a empresa.

 
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